A depressão é um transtorno de saúde mental complexo, influenciado por fatores biológicos, emocionais e sociais. Um estudo científico recente trouxe novas evidências importantes: mulheres apresentam uma carga genética mais elevada para o Transtorno Depressivo Maior (TDM) do que homens.
A pesquisa, considerada a maior metanálise já realizada sobre diferenças entre os sexos na depressão, foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e analisou dados de mais de 195 mil pessoas, com publicação na revista científica Nature Communications.
Os pesquisadores avaliaram se existiam diferenças genéticas específicas entre homens e mulheres com diagnóstico de depressão. Os resultados mostraram que, embora muitas variantes genéticas sejam compartilhadas entre os sexos, as mulheres concentram um número maior de variantes associadas ao risco do transtorno.
Além disso, o estudo identificou, pela primeira vez, uma variante genética associada à depressão exclusivamente em homens, localizada no cromossomo X — herdado da mãe. Esse achado reforça a importância de análises separadas por sexo para compreender melhor a doença.
Apesar da influência genética comprovada, especialistas ressaltam que a depressão não é determinada apenas pelos genes. Trata-se de um transtorno poligênico e multifatorial, ou seja, vários genes interagem com fatores ambientais e emocionais.
Entre as mulheres, aspectos como sobrecarga emocional, desigualdade social, experiências traumáticas, violência, alterações hormonais e acúmulo de responsabilidades contribuem para o maior risco ao longo da vida.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as mulheres têm quase o dobro de risco de desenvolver depressão em comparação aos homens. Essa diferença costuma surgir ainda na adolescência e se mantém ao longo da vida adulta.
No Brasil, pesquisas mostram que o diagnóstico de depressão também é mais comum entre mulheres, reforçando a necessidade de atenção precoce, escuta qualificada e acompanhamento especializado.
Outro ponto relevante do estudo foi a associação genética entre depressão feminina e condições metabólicas, como obesidade e síndrome metabólica. Isso ajuda a explicar sintomas frequentes, como ganho de peso, aumento do apetite e sono excessivo.
Essas descobertas apontam para a importância de uma abordagem clínica integrada, que considere não apenas os sintomas emocionais, mas também a saúde física, o estilo de vida e o bem-estar geral da paciente.
Nos homens, a depressão pode se manifestar de forma diferente, com maior irritabilidade, comportamentos de risco e uso de substâncias. Reconhecer essas diferenças é essencial para evitar subdiagnóstico e garantir um tratamento adequado.
O estudo reforça que o futuro do cuidado em saúde mental caminha para abordagens mais personalizadas, considerando as diferenças biológicas entre homens e mulheres. Isso pode contribuir para tratamentos mais eficazes, melhor adesão e melhores resultados clínicos.
A depressão tem tratamento, e buscar ajuda profissional é um passo fundamental. Se você ou alguém próximo apresenta sintomas como tristeza persistente, falta de energia, alterações no sono ou no apetite, dificuldade de concentração ou perda de interesse nas atividades, procure uma equipe especializada.
Nossa clínica oferece atendimento humanizado, com profissionais qualificados e abordagem individualizada, respeitando as necessidades de cada paciente.
fonte: CNN Brasil – Saúde (matéria baseada em estudo publicado na Nature Communications, Universidade de Queensland, agosto de 2025)